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Eu tenho os melhores amigos do mundo, eu acredito nisso, mesmo quando alguém aponta o dedo para meu rosto para dizer que eu nunca os vi de verdade. Eu não me importo com encontros fora da internet, eles me abrigam quando o teto da minha casa interna cai, quando eu mais preciso, eles me compreendem. Assim eu também faço quando precisam. Eu tenho os melhores amigos do mundo, eu penso assim até quando discutimos e cada um vai pro seu lado, e depois de semanas votamos a conversar sem ninguém pedir desculpas. Eles não precisam saber tudo de mim, como os outros, eu odeio quando alguém sabe tudo, e mesmo se tivéssemos uma relação social fora da rede ainda assim eu me esconderia. São os melhores porque não precisam saber do que realmente está acontecendo comigo desde os meus quatorze anos. Eles são os melhores amigos do mundo porque sempre me chamam no whatsapp mesmo sem eu nunca ter feito isso alguma vez. São porque somente de estar online no topo do meu bate-papo eu já me sinto acompanhado, eles não precisam me chamar, só de existirem já fazem diferença. Além de tudo eles são os melhores amigos do mundo por não reclamarem dos meus surtos, por esconderem de mim suas impressões, quem precisa ouvir impressões quando eu sei o que eles pensam (ou pensavam) de mim? Sim, eu sei muito sobre impressões. Mas dão opiniões, compartilham textos desconhecidos, eu amo quando compartilham textos, são os únicos que fazem isso. Sabem ser mais humano que eu, são mais reais que eu. Sim, eu tenho os melhores amigos do mundo e não pretendo largar ninguém. Nem mesmo quando eu morrer, eu adoraria assombra-los entrando no banheiro enquanto tomam banho. Minha zoeira é mórbida mesmo, vou flagrar vocês batendo punheta (ou  siririca) e rir depois porque vocês são os melhores amigos do mundo, assim me fazendo sentir que eu sou a melhor pessoa do mundo.

Esbarro em qualquer alguém que tenha olhares perdidos, dou-lhe a utopia de ser destino, entrego-lhe o que não quero, o que não tenho, pois não almejo precisar nem sequer experimentar mais da inquietação que causa reboliço sob o crânio. Digo palavras bonitas, indico caminhos de estarem a centímetros da cara, mas não tenho carta na manga, é só o pisão na ferida que me faz querer estar em outra vida. Arranco-lhe sorrisos que não sei sentir, choro Lágrimas Metamorfose insistentes em pingar letras nos papéis amassados. Está tudo só, num sol a arder os olhos, embora não me cega tanto quanto o passado, que não seca tempestade, nem cozinha turbulentas e gritantes discussões. Sobretudo pareço procurar algo, mas não há algo que me faça realmente procurar, pois não há nada a que eu posso encontrar. São apenas superficialidades, sou profundeza querendo extinguir o instinto, o impossível, afundando os dedos no pescoço de quem era eu, como se o inexistir pudesse deixar-me livre.

Descrevas a toques suaves em meu corpo
Teus motivos para me deixar
Sussurres com os lábios colados aos meus
Que tudo deixou a desejar
Partas meu coração
Em gemidos a meu ouvido
Digas que não há volta
Cantarolando nossas músicas
Demonstres que eu morri para ti
Embora tu ainda vives em mim.

C.K.

São espasmos de lembranças
Distensão de esperanças
Lágrimas de relutância
Sobre nossa vida
Cobertas por flores brancas.

C.K.

Você se tornou saudade quando nos encontramos na pequena rua da felicidade.

C.K.

Me sinto sem fôlego nas noites calmas

Me sinto levado pelas brisas escassas

Me sinto sinto cruel,

Ao assistir uma luta não ter fim.

Me sinto vazio na tua presença,

Por não te ter pra mim.

Me sinto alguém quando estou em cacos,

Abarrotado, amontoado,

Querendo me livrar dos malditos fardos.

Me sinto preenchido nas ruas vazias.

Me sinto humano nas atitudes frias.

Me sinto meu

Quando o tempo escurece

Quando alguém é descrente

De que quem está ali não sou eu.